“Essa é uma imagem
que deixa a gente triste”, disse o líder comunitário Francisco Felipe
de Sousa, de 74 anos, ao ver totalmente seco o açude público Riacho do
Padre, situado no povoado Caboclo, divisa entre os municípios de Belém
do Piauí e Padre Marcos.
A represa foi construída pelo Exército Brasileiro,
com o apoio da Sudene, através do Programa de Aproveitamento dos
Recursos Hídricos do Nordeste. As obras tiveram início em julho de 1982 e
durou quatro meses. Em março de 1983, o açude foi inaugurado em
solenidade que contou com a presença do então Ministro do Interior,
Mário David Andreazza. Poucos meses depois de inaugurada, a represa
atingiu sua capacidade máxima de acúmulo de água – 2,2 milhões de metros
cúbicos – e trouxe segurança hídrica para a região.
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| Foto aérea da barragem de Caboclo em julho de 2016 |
Chico Felipe, como é conhecido, afirmou que o povoado Caboclo surgiu a partir da construção
da barragem. Segundo ele, parte do terreno para a construção da represa
foi doado por sua família. “Aqui só tinha umas três casas. Depois que
construiu a barragem, o povo começou a construir as casas também. A
riqueza aqui era grande, tinha água para o povo, para os animais, para
plantar. Era uma fartura”, disse.
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| Foto aérea da barragem de Caboclo em agosto de 2017 |
Além da comunidade de Caboclo, por muitos anos, o açude do Caboclo foi
responsável pelo abastecimento de água das cidades de Belém do Piauí e
Padre Marcos e do povoado Riacho do Padre. Quando cheia, a represa se
estendia por cerca de 3 km. “Água não era problema. Todos os anos o
açude enchia e sangrava. Era uma festa.
Vinha gente de toda a região se divertir aqui”, disse. Chico Felipe não
soube informar com precisão a última vez que a represa transbordou. “Tá
com uns três ou quatro anos que não encheu mais. As chuvas tão poucas e
a quantidade de água de um ano para o outro ‘tava’ diminuindo, até que
secou tudo”, pontuou.
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| Chico Felipe, morador da comunidade de Caboclo |
O morador, que acompanhou a construção do açude desde a elaboração do
projeto, visita ao terreno, construção e inauguração, se emocionou ao
falar sobre a seca. “A gente fica triste e preocupado como vai ser daqui
pra frente. Não tem água nem para os bichos. Aqui tem o criatório, o
plantio. Agora tá todo mundo desanimado, sem saber o que fazer, correndo
o risco de perder tudo. A maior riqueza da gente era essa barragem E
agora nossa riqueza acabou. Tá aqui, a barragem seca”, disse Chico
Felipe.
O líder comunitário disse que só resta
pedir a Deus que mande chuva. Chico Felipe sugeriu que as Prefeituras
dos dois municípios aproveitem a seca da barragem para fazer uma
limpeza. “Aqui onde a gente está era fundo, mas hoje tá aterrado. Era
bom os prefeitos se juntarem para tirar essa terra. Cada caçamba de
terra que sair vai ser uma a mais de água quando chover”, disse.
Câmara solicita limpeza do açude
A Câmara Municipal de Belém do Piauí
aprovou, em sessão realizada no dia 25 de agosto, um Requerimento
proposto pelo presidente da Casa, Bernardino Carvalho, e subscrito pelos
demais vereadores, solicitando do Governo do Estado do Piauí e do
Departamento Nacional de Obras Contra as Secas – DNOCS, o
desassoreamento do açude público Riacho do Padre.
Conforme o Requerimento, desde a sua
construção, há 35 anos, a represa nunca passou por limpeza e está
assoreado, perdendo grande parte da sua capacidade de acúmulo de água.
Diante da seca total da represa, os vereadores cobram uma ação rápida do
poder público, com o objetivo de devolver a capacidade de acumular
água.
CidadesnaNet





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